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Rio - Circula na Internet e em outdoors do Rio propaganda de lingerie que está dando o que falar. Moradora da Favela da Rocinha, a depiladora Ana Paula Conceição Soares, 29, aparece em roupas íntimas ao lado de modelo ‘vestido’ como policial do Bope e ‘nocauteado’. Na imagem, a inscrição: “Pacificar foi fácil, quero ver dominar”.
Ana Paula mora na comunidade desde que nasceu. Foi o primeiro trabalho como modelo, mas, desde o anúncio da DuLoren, vem recebendo convites de agências e quer seguir carreira na moda. “Alguns colegas ficaram com medo de ser perigoso, dar a impressão que está debochando, mas não deu confusão. Todo mundo elogiou”, conta.
A empresa diz que não teve problemas com autoridades por causa da campanha. “Ninguém está questionando a pacificação da Rocinha. A ideia é mostrar que a mulher dessa lingerie não é dominável. Pode até pacificar o morro, mas nem homem nem soldado nenhum domina essa mulher. Acho que perceberam isso, é brincadeira”, explica Marcelo Gorodicht, diretor executivo da X-Tudo Comunicação, responsável pela campanha.
A Polícia Militar e a Secretaria de Segurança não quiseram comentar.
RIO — Policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Salgueiro, na Tijuca, afirmaram que dois traficantes foram baleados na favela, durante um tiroteio que começou na madrugada deste sábado com a repressão a um baile funk na comunidade. Anderson Cavalcanti de Oliveira, apontado como o líder do tráfico no local, foi atingido em um dos braços, e George de Oliveira Pedro, ferido nas pernas, é acusado de ser o gerente da venda de drogas. Os dois estão internados no Hospital do Andaraí.
De acordo com a polícia, por volta das 3h30, homens da UPP foram até uma quadra esportiva no alto da favela para acabar com um baile, que, na versão dos militares, reproduzia músicas em apologia ao tráfico. Neste instante, moradores passaram a jogar pedras e tijolos contra os policiais. Pelo menos três carros tiveram os vidros quebrados na confusão. Segundo a polícia, enquanto frequentadores do baile arremessavam objetos, bandidos armados se aproveitaram do tumulto para disparar contra os PMs. Houve troca de tiros e foi chamado reforço ao 6º BPM (Tijuca).
Mesmo assim, já ao amanhecer,cerca de dez moradores esboçaram um protesto contra a operação policial. Um tenente da UPP fez um disparo de fuzil para o alto em sinal de advertência, o que dissipou o grupo. A PM disparou mais vezes para o alto, desta vez de pistola, quando finalmente chegou o reforço do Batalhão de Choque, transportados em um furgão. A moradora Índia Mariano da Silva, de 20 anos, saiu carregada do morro, segundo vizinhos, porque passou mal com o efeito do spray de pimenta usado pelos militares da UPP.
Pouco antes, quando o suspeito George era levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro, moradores reviraram lixeiras e espalharam detritos em frente à UPA, na versão deles, em sinal de protesto contra a ação da PM.
Sartori disse que discute com as entidades a apresentação de um único processo ou causas em blocos e que espera a adesão dos 354 desembargadores do tribunal.
O magistrado afirmou que quer processar o jornal pois a Folha usou o termo "investigar" em uma manchete que informou sobre a inspeção que está sendo realizada pela corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na folha de pagamentos e nas declarações de renda dos desembargadores da corte.
"Vamos pensar com a associação. Vamos mover mesmo porque a manchete saiu como investigação, como suspeita e já decidimos que vamos mover", disse Sartori ontem em Ribeirão Preto.
"Já estou conversando com as associações, a AMB [Associação dos Magistrados Brasileiros], a associação paulista. Não sei se vai ser feito um processo ou se serão blocos, processos em blocos de magistrados. E eu acredito que os 354 [desembargadores do TJ] vão participar. Espero que seja assim", completou.
Ontem, Sartori foi indagado sobre o relatório de cem páginas produzido por sua gestão sobre supostos pagamentos de verbas trabalhistas atrasadas a 211 integrantes da corte que teriam "furado a fila" de quitações normal da corte e se ele seria repassado à corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon.
Em sua resposta, o magistrado disse que o CNJ já sabe da existência do relatório e usou o termo "investigação" para se referir ao trabalho.
"São 211 magistrados. Essa investigação também está em franco andamento e a ministra sabe disso", afirmou.
Calmon também foi questionada ontem sobre o relatório. "Ele [TJ] está fazendo a investigação interna. Possivelmente o presidente vai nos entregar esta investigação, que poderá servir de ponto de apoio para darmos continuidade a outras investigações", afirmou a corregedora.
O endurecimento do controle de gastos na administração de Dilma Rousseff pesa mais sobre os ministérios entregues aos sócios minoritários da coalizão governista, o que ajuda a explicar a crise na base de sustentação parlamentar do Planalto.
Uma análise do recente bloqueio de R$ 55 bilhões em despesas previstas no Orçamento deste ano mostra que as dez pastas entregues a PMDB, PSB, PR, PP, PDT, PC do B e PRB perderam quase um quarto das verbas de livre aplicação -exatos 23,9%.
Dono da segunda maior bancada do Congresso, o PMDB do vice-presidente Michel Temer teve corte de nada menos que a metade das verbas disponíveis em seus quatro ministérios.
Já nas 14 pastas ocupadas pelo PT ou por indicações diretas de Dilma, o impacto dos cortes ficou em apenas um décimo dos recursos destinados a compras e investimentos -o levantamento não considera gastos obrigatórios, como o pagamento de salários e aposentadorias.
Os dados explicitam a assimetria da divisão de poder na Esplanada, mais aguda na atual administração.
Os petistas assumem áreas mais prioritárias e, portanto, menos sujeitas a ajustes, caso de Saúde e Educação, além de postos de decisão, como Fazenda e Planejamento.
Os aliados ficam com a periferia orçamentária destinada ao varejo político, cujos exemplos principais são as obras e projetos de interesse de deputados e senadores distribuídas entre Turismo, Integração Nacional, Esporte, Cidades e Agricultura.
Essa lógica já vigorava, com contrastes mais amenos, sob o ex-presidente Lula. Mas o antecessor de Dilma pôde relaxar controles fiscais e expandir gastos, prioritários ou não, ao longo de todo o seu segundo mandato.
A generosidade do período, em especial no ano eleitoral de 2010, contribuiu para alimentar a alta da inflação e deixou como herança a necessidade de reequilibrar as contas do Tesouro -ainda mais porque a crise internacional tornou menos provável a sucessão de recordes na arrecadação tributária.
A FORÇA DO PT
Com a escassez de dinheiro, tornou-se mais evidente a hierarquia de órgãos, programas e forças políticas.
Os ministérios do Esporte (PC do B) e do Turismo (PMDB) sofreram cortes superiores a 70% de suas verbas livres, formadas principalmente por despesas incluídas no Orçamento pelos congressistas e conhecidas como emendas parlamentares.
Das pastas entregues aos aliados, a mais poupada foi a dos Transportes, que concentra obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Mas o ministério é foco de conflito entre Planalto e PR desde a troca de Alfredo Nascimento por Paulo Passos, preferido da presidente.
Cidades, do PP, também escapou de um corte maior por abrigar o programa Minha Casa, Minha Vida, sobre o qual, porém, o partido tem pouca ou nenhuma influência.
As pastas da cota do PT e de Dilma já respondiam por 75% dos recursos disponíveis na Esplanada. Após o corte, a fatia subiu para 78%.
Uma hora e meia após o início da sessão extraordinária desta quarta-feira (22), os vereadores do Rio discutiram de fato o primeiro projeto da pauta. Os demais foram aprovados em ritmo de maratona.Eles derrubaram a proposta da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), que obrigaria as empresas que realizam obras urbanas, e danificam qualquer equipamento público, a realizar o conserto do dano causado.
Elas teriam 15 dias para refazer o erro. Ultrapassado este limite, seria estabelecida uma multa diária. Se o problema não fosse resolvido, a própria prefeitura arcaria com o conserto e acionaria judicialmente a empresa para ser ressarcida.
"As concessionárias agradecem aos vereadores que disseram não ao projeto. Vamos fazer uma lista com os nomes de todos", avisou Andrea.
Votaram contra a proposta os vereadores Adilson Pires (PT), Professor Uóston (PMDB), Ivanir de Mello (PP), João Ricardo (PSDC), João Mendes (PRB), Rubens Andrade (PSB), Tânia Bastos (PRB) e Nereide Pedregal (PDT).
A deputada estadual Janira Rocha (Psol-RJ) propôs, na última quarta-feira, um projeto de lei que proíbe empresas que respondam a processos criminais de participarem de licitações no Rio de Janeiro. A proposta é fruto das denúncias do último domingo, quando o Fantástico exibiu um vídeo no qual donos de empresas contratadas pelo governo do Estado revelavam esquemas de propina para garantir a vitória nas licitações.No entanto, a própria parlamentar não crê que o projeto será aprovado. Com ampla maioria governista, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) dificilmente compraria uma briga que poderia respingar na gestão do governador Sérgio Cabral (PMDB). A CPI para investigar o escândalo nas licitações, pedida pelo deputado Paulo Ramos (PDT), também não deve vingar.
"Esse projeto de lei é um teste para a Assembleia e vai mostrar o que todos já sabem: que a Casa não tem interesse em matérias que possam prejudicar o governo, que ela não é independente. Isso só acontece quando há uma enorme pressão popular, como foi no caso dos bombeiros, no ano passado", lembra a parlamentar, que teve vários de seus projetos perdidos no limbo das comissões permanentes da Alerj. "Nunca aprovaram nada a favor dos bombeiros. A população protestou, cobrou e veio na porta da Alerj e todos passaram a apoiá-los. É assim que funciona", disse.
Se aprovado, o projeto de lei impediria que Locanty, Toesa e Rufolo participassem de licitações, já que todas têm "Ficha Suja". A Rufolo é acusada pelo TCU de superfaturar um contrato de lavagem de roupas de hospital. Enfim, um verdadeiro absurdo! O que eu quero dizer é que não é novidade nem pra Eduardo Paes nem pro Cabral que essas empresas são criminosas", atacou a deputada Clarissa Garotinho (PR), em discurso.
A Locanty, por exemplo, já poderia ter sido excluída do cadastro de licitações. No ano passado, 19 funcionários da empresa foram presos acusados de participar de uma fraude na liberação de carros rebocados em depósitos da prefeitura. Já a Toesa foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por conta da deficiência na prestação de serviços para a rede municipal de saúde. A empresa também é acusada de ter fraudado uma licitação para seguir na manutenção dos veículos de combate à dengue.
"É algo que todos nós já sabíamos. Estou na Alerj há poucos mais de um ano e já tinha escutado denúncias contra todas essas empresas. A Rede Globo apenas requentou o que todos sabiam, mas ganhou grande repercussão por aparecer no horário nobre", lembrou Janira, que é contra a participação da iniciativa privada em algumas áreas da administração pública. "A iniciativa privada deveria ser apenas um complemento. Hoje, na saúde pública, as empresas até administram hospitais. E é a partir delas que surgem as fraudes", afirmou.

Rio - Um apagão atingiu o Centro do Rio ontem por mais de três horas. Segundo a Light, defeito em subestação deixou o bairro sem energia das 10h45 às 11h30. Por volta das 14h, no entanto, a Rua Mem de Sá ainda estava no breu. A sede da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, e o Túnel Rebouças também ficaram às escuras devido a problema em um cabo de média tensão.As ruas dos Andradas, Santana, Gomes Freire e Carioca ficaram no escuro. Sinais de trânsito de ruas do Estácio e em trechos da Av. Pres. Vargas ficaram apagados até o meio-dia, provocando retenções no trânsito, apesar da presença de agentes da CET-Rio.
O Restaurante Cais dos Cais dos Sabores, na Rua Mem de Sá, serviu o almoço à luz de velas e fez promoção para não perder clientes. “Como a balança não estava funcionando, ofereci comida à vontade por R$ 12. Mesmo assim, vou ter um prejuízo de 70%”, disse a gerente Laura Lagoeiro, 50 anos.
Na prefeitura e no Túnel Rebouças, a luz só voltou às 13h. Servidores deixaram o prédio durante o breu. “Desci sete andares de escada e só tinha luz de emergência nos corredores. Um homem com uma lanterna na escada ajudou as pessoas a descerem”, contou a agente administrativa Adriana da Conceição, 32 anos.
RIO - O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (Crea-RJ) confirmou nesta sexta-feira que há irregularidades no processo de licitação nos novos bondes de Santa Teresa, suspenso por uma decisão judicial na última quinta. A pedido da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), o órgão analisou o edital e elaborou um parecer que fortalece a decisão da Justiça:
"É necessário que o citado 'Termo de Referência' esteja acompanhado de um 'Projeto Básico', conforme previsto na lei nº 8.666/93, que permita aos possíveis interessados a apresentação de propostas de preços justos para ambas as partes", diz em nota o chefe de gabinete do Crea-RJ, Renato Luiz Csaszar.
Além da falta do projeto básico, segundo o Crea, o edital também não apresenta a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), emitida pelo profissional responsável pelo projeto.
Na quinta-feira, a juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo concedeu uma liminar que suspende a licitação aberta pelo Governo do Estado para a reforma dos bondes de Santa Teresa. A decisão afirma que o edital da licitação é irregular por não apresentar um novo plano básico de implementação do sistema, além de desrespeitar os atos de tombamento dos bondinhos. Ela atende a uma ação civil pública impetrada por moradores do bairro, e tem como réus o governo estadual; a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), que administra o sistema; e o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner.
A decisão pune ainda o governo do estado com uma multa de R$ 20 mil se a concorrência para a licitação não for suspensa, e se novo edital em desacordo com os atos de tombamento for publicado. A juíza ordena também que um projeto básico para o sistema seja executado em 30 dias, dessa vez respeitando as características originais dos bondinhos, sob pena de multa de R$ 50 mil. Em nota, o governo afirmou "que vai pedir reconsideração à juíza e recorrer da decisão".
Mulheres no corredor
Mulher deitada em duas cadeiras no corredor
Uma mulher grávida dorme na sala de espera, e outra passa mal e é socorrida pela que está em pé.
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Após o escândalo das fraudes em licitações públicas em hospitais do Rio de Janeiro, revelado pelo Fantástico, mais um exemplo de como o dinheiro que é desviado em propinas faz falta a quem precisa da rede pública de Saúde. Em um dos principais hospitais públicos do Rio, o Miguel Couto, na Zona Sul, por conta da superlotação na maternidade e nas enfermarias, mulheres grávidas e outras que acabaram de ter filhos são atendidas em corredores, em macas ou até mesmo em cadeiras. As imagens foram obtidas pelo RJTV. Logo no início do corredor da maternidade, uma paciente coberta por um lençol dorme sentada sobre duas cadeiras. É a imagem da superlotação. Mais à frente, outras três pacientes estão em macas e em uma cama, no meio do corredor. Uma delas recebe soro. Abaixo da cama, há um recipiente com urina. Também no corredor, a mãe descansa com o bebê recém-nascido em um berço ao lado.
Na sala de espera, uma mulher grávida passa mal e é amparada pela acompanhante. Ela aguardava transferência para outro hospital. Por causa da longa espera, outra mulher grávida chega a dormir sentada.
A direção do hospital mandou uma nota informando “que todas as grávidas estão sendo atendidas mesmo no corredor. Apesar da superlotação, todas estão com suporte médico”.
A Secretaria municipal de Saúde disse que não há recusa de atendimento, por isso há caso de superlotação. No entanto, todos os pacientes são atendidos.
Caso antigo
As reclamações sobre superlotação na maternidade do Miguel Couto já são feitas há vários anos. Em julho de 2009, uma paciente perdeu o bebê depois de não conseguir internação no hospital. Manoela Costa estava grávida de sete meses e sentiu dores. Ela foi atendida por um médico que disse que não havia vagas na maternidade. O próprio médico anotou no braço da paciente o nome do hospital que ela deveria procurar e os números dos ônibus. Mas quando Manoela chegou na maternidade Fernando Magalhães, o bebê já estava morto. O médico foi demitido no ano passado.
No fim da manhã desta quinta-feira (21), a sala de espera estava ainda mais lotada e as mesmas mães ainda aguardavam atendimento. A grávida que passava mal continuava sentido fortes dores e ainda esperava por assistência medica.
A disputa de traficantes de drogas por bocas de fumo está de volta à favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Quatro meses após a ocupação policial da favela, que tinha como objetivo a implantação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), o governo vê o primeiro revés na pacificação dos morros.
Desde terça-feira, a parte alta da Rocinha é dominada por integrantes da facção Comando Vermelho. A invasão aconteceu na segunda.
Quatro pessoas já morreram. Os moradores agora evitam ficar até tarde nas ruas, situação diferente dos primeiros dias após a ocupação.
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, determinou que a PM retome o território.
Ontem, 130 PMs recém-formados foram deslocados para reforçar o policiamento. A disputa por pontos de drogas começou quando os traficantes perceberam a redução do efetivo. No início, eram 200 policiais e hoje são cem.
"Não vamos permitir retrocesso. O processo da pacificação não tem volta", disse o coronel Frederico Caldas.
Um plano B já está em discussão. Setores do Exército defendem deslocar os militares que estão no Complexo do Alemão. Isso aconteceria aos poucos, com a saída do efeito do Alemão, que começará em abril. Há resistência tanto na secretaria como entre os próprios militares.