Rádio Blog do Ricardo Gama

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Eleições 2012: Eduardo Paes antes "combativo" opositor do PT e Lula, novamente se alia a petralhada para tentar se reeleger no Rio de Janeiro

.
Leia em abaixo o destacado em vernelho, que fala sobre o Prefeito Eduardo Paes.

Reprodução do O Globo On line



BRASÍLIA - Mesmo com o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrendo no calor da campanha eleitoral, réus do maior escândalo de corrupção do governo Lula participarão ativamente das eleições municipais. Apenas um deles, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), será candidato, mas muitos outros subirão em palanques para apoiar aliados. De olho no tempo de televisão, até adversários do PT fecharam alianças com mensaleiros, que tanto condenam, e terão que fazer uma ginástica se quiserem explorar o julgamento do mensalão em suas campanhas.

Há, ainda, aqueles que mudaram de lado, como os ex-deputados Gustavo Fruet (PDT-PR) e Eduardo Paes (PMDB-RJ). Integrantes da oposição na época da CPI dos Correios e implacáveis na cobrança aos petistas, agora estão de braços dados com os investigados.

Um dos principais articuladores políticos da campanha de José Serra (PSDB) à prefeitura de São Paulo, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) diz que o candidato tucano não pretende explorar o mensalão e minimiza a aliança com o PR de Valdemar Costa Neto, deputado acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva no processo que corre no Supremo.

— Tem gente de tudo quanto é tipo nos partidos — disse Aloysio Nunes, defendendo a aliança que rendeu mais 1min35s de TV para Serra. — Não é nossa intenção, desde o início, fazer campanha eleitoral com mensalão, e sim com a vida de Serra, sua trajetória política e suas propostas. Não é pertinente usar esse tema na eleição.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, que trocou o PSDB pelo PMDB e disputará a reeleição, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há constrangimento de sua parte. Durante a campanha de 2008, Paes chegou a enviar uma carta ao então presidente Lula pedindo desculpas pelas críticas feitas durante a CPI dos Correios, quando ainda era um ativo deputado da oposição.

“Na ocasião, cumpri com o meu papel de deputado, e tenho orgulho do trabalho que fiz. Agora, cabe à Justiça tratar do assunto, apontando eventuais culpados e inocentes. Hoje, estou completamente dedicado às minhas funções de prefeito do Rio. Não há novidades na nossa aliança com o PT aqui no Rio. Já estamos juntos há quase quatro anos, prestando serviços dignos aos cariocas e ao Brasil. O PMDB e o PT são aliados nos âmbitos federal, estadual e municipal, e são as duas maiores entidades partidárias do país, com mais de 3,9 milhões de filiados. Não podemos julgar a todos pelos erros de alguns”, afirmou o prefeito, por meio de sua assessoria de imprensa.

Gustavo Fruet, agora no PDT, será paoiado pelo PT

O ex-deputado Gustavo Fruet foi na mesma linha. Ele trocou o PSDB pelo PDT e disputará a prefeitura de Curitiba apoiado pelo PT. Fruet foi sub-relator de movimentação financeira da CPI dos Correios.

— Sou guardião das minhas convicções e da minha história. Não nego nada do que fiz. O julgamento político foi importante. Agora é o jurídico — afirmou Fruet, dizendo-se preparado para enfrentar esse debate na campanha, embora considere que temas locais terão mais peso.

Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do mensalão, o ex-deputado José Borba, que trocou o PMDB pelo PP, disse que fará campanha no Paraná. Em Curitiba, seu partido apoiará a reeleição de Luciano Ducci (PSB), em coligação com PSDB e DEM.

Indagado sobre o eventual desgaste causado pelo julgamento no período eleitoral, Borba deu respostas desconexas, como “o julgamento é esperado”, “o julgamento é justo” e “as campanhas são moderadas”. Um desavisado ficaria em dúvida se ele realmente está no rol dos que serão julgados pelo STF em agosto. Questionado se está tranquilo, ele finalmente foi assertivo: “Sim”.

Ex-ministro dos Transportes e prefeito reeleito de Uberaba, Anderson Adauto (PMDB) não apoiará o candidato de seu partido, o deputado Paulo Piau. Insatisfeito com a intervenção da executiva estadual no diretório municipal do PMDB, o réu do mensalão deve estar no palanque do candidato petista, o deputado estadual Adelmo Leão. Anderson Adauto é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

Em Minas, o deputado Júlio Delgado (PSB) lamenta a demora no julgamento do mensalão, coincidindo agora com a eleição municipal. Um dos mensaleiros, o ex-deputado Romeu Queiroz, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, filiou-se a seu partido, o mesmo do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, que disputará a reeleição.

— A demora do julgamento jurídico, em relação ao processo político, de 2005, acabou por misturar, na eleição deste ano, vários desses personagens, nas mais diferentes composições. Uma verdadeira salada. Dificulta a compreensão do eleitor na hora de votar — afirmou Delgado, concluindo que o assunto mensalão não poderá ser explorado na campanha, nem por adversários do PT:

— Os vários candidatos e personagens envolvidos não poderão explorar o tema porque ou estiveram envolvidos lá atrás ou vão estar juntos agora.


Nenhum comentário:

Postar um comentário