Deu no Globo, Blog do Ricardo Noblat







RIO - Ricardo Freire, pai de Wesley Gilbert, de 11 anos, morto por uma bala perdida na sexta-feira, no Ciep Rubens Gomes, em Costa Barros, não quis revelar se aceitou o pedido de desculpa feito nesta terça-feira pelo governador Sérgio Cabral. Ricardo foi recebido no Palácio Guanabara, num encontro a portas fechadas, do qual também participou o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. Cabral afirmou que "faltou bom senso" aos policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) que participaram da operação durante a qual o menino foi atingido.
- Foi um encontro muito emocionante - disse Cabral. - Tivemos uma conversa muito franca. Pedimos desculpas ao Ricardo e relatamos a ele que a nossa política de segurança é feita com coragem e bom senso, sem acordo com bandidos. No entanto, infelizmente nesse caso faltou bom senso.
Cabral prometeu investir na política de pacificação das favelas, para que a história de Wesley não se repita com outras crianças.
Pela manhã, em entrevista ao programa "Mais você", da TV Globo, Ricardo Freire pediu que o crime não fique impune:
- Espero que se apure corretamente de onde veio o disparo e que isso não aconteça novamente com nenhuma criança.
Ricardo disse que se mudaria com o filho no fim do ano:
- Já tinha conseguido uma vaga para ele num colégio em Pernambuco. Ele até havia concordado com a mudança.
No Ciep, onde as férias foram antecipadas, o clima ainda é de comoção. A diretora Rejane Pereira, que levou Wesley, baleado no peito, para o hospital, se emociona a cada mensagem de apoio recebida de pais de alunos.
- Os dias têm sido difíceis não só para os alunos, como para funcionários, pais e professores - disse a diretora, chorando.
A Divisão de Homicídios (DH), que investiga o caso, deve ouvir na próxima semana os policiais militares que estavam na operação durante a qual o menino foi morto. O tenente-coronel Fernando Príncipe, que foi exonerado do comando do 9º BPM (Rocha Miranda) horas depois da morte de Wesley, também deve ser ouvido.