Traficantes de facções diferentes estão colocando o terror em Niterói, bandidos do Nova Brasília tentaram invadir o Morro dos Marítimos, a polícia foi acionada para tentar por fim a guerra do tráfico.
Muitos dizem que a violência em Niterói aumentou após as UPP's, jap que muitos bandidos teriam migrado para lá.
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A “polícia pacificadora” de Cabral prende bandidos ou só os convida a mudar de método sem mudar de ramo?
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Muito bom artigo, pena que é PROIBIDO ser veiculado na mídia do Rio de Janeiro.
Reprodução da Revista Veja, Blog Reinaldo Azevedo.
A invasão do Hotel Intercontinental, no Rio, sábado, por um bando pertencente à facção Amigos dos Amigos (ADA) poderia contribuir para a imprensa brasileira, a carioca em especial, ligar o desconfiômetro — se é que há interesse em fazê-lo. A que me refiro? Há algum tempo já, ando intrigado com o fenômeno da “Polícia Pacificadora” do governador Sérgio Cabral (PMDB), que tem servido para Dilma Rousseff exaltar o “modelo de segurança pública” adotado no Rio. Modelo?
Um verdadeiro milagre está se operando. Os bandidos, segundo estou entendendo, desaparecem, evaporam — ou, então, convencidos subitamente de que o crime não compensa, mudam de vida, vão fazer outra coisa, decidem ganhar a vida honestamente. Vejam como é fabulosa a fórmula Cabral: uma “comunidade” — como se gosta de dizer por lá — é assombrada pelo narcotráfico, é sua refém. Aí o governador decide instalar no local uma unidade da “Polícia Pacificadora”. E os bandidos? Somem dali. Sei. E vão para onde? Alguém dirá: “Ora, Reinaldo, eles se refugiam onde ainda não existem as tais unidades”. Certo. Entendo que Cabral, um amigo do povo, vai querer estender essa forma de policiamento às demais “comunidades”.
E os bandidos? Parece que, no limite, teriam de sair do Rio de Janeiro, né? Por que escrevo isso? Porque Cabral anuncia que o governo vai retomando o território, mas ninguém é preso. Não é fabuloso? Um grupo da turma que invadiu o hotel acabou capturada. Explica-se: ainda não eram bandidos “pacificados”. Em outros tempos, naquele outro Brasil em que, como diriam certos especialistas neolulistas, a “imprensa ainda não gostava do governo”, essas unidades “pacificadoras” estariam sob investigação jornalística. Não agora! Nos dias que correm, elas estão sob a adulação jornalística.
Tenho certo receio — não é acusação, não; é receio mesmo, ditado pela lógica — de que essa política de segurança pública consista em uma espécie de pacto com os donos do morro, de sorte que ninguém atrapalhe ninguém: os bandidos deixam a polícia fazer o seu trabalho, impedindo os pequenos crimes dos pés-de-chinelo, e a polícia deixa os “donos do poder local” atuarem livremente no seu ramo de comércio, desde que não haja demonstração ostensiva de armas. E, assim, ficam todos pacificados.
Da forma como as coisas estão, Cabral anuncia à imprensa ter descoberto a quadratura do círculo e recebe aplausos. Sem essa! Ou ele apresenta quem foi em cana ou apresenta os ex-bandidos regenerados e convertidos às nobres causas da cidadania. Hoje, no máximo possível da boa-vontade com a política de segurança do governador do Rio, a gente seria obrigado a concluir que os bandidos que estavam nas áreas agora “pacificados” só mudaram de endereço.
Como norte geral, este escriba tem a certeza de que há uma importante diferença entre “pacificar uma comunidade” combatendo o narcotráfico e prendendo seus agentes e “pacificar a comunidade” convidando aqueles patriotas a mudar de métodos sem mudar de ramo de atividade. Mais ou menos como Lula fez com as Farc — quando sugeriu que elas disputem eleições. Sobre o pó, ele não falou nada.
Mas isso ficará para o tempo em que o jornalismo estiver empenhado de novo em buscar notícia, não em “construir um novo Brasil”…